Sexta-feira, 4 de Setembro de 2015

Pilão - O cabulanço quase frustrado

 

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Preparava-me eu para um teste de OAE (Organização e Administração de Empresas), no ido ano de 1988. Esta cadeira era então ministrada pelo Tadão (professor de enorme gabarito, infelizmente já falecido).

Como o meu plano passava pelo recurso na íntegra a auxiliares de memória, tentei, por todos os meios arranjar um lugar o mais atrás possível, tendo mesmo conseguido ir para a última fila. O professor olhou, mirou, observou o pessoal antes do início do teste e procedeu a algumas correcções de lugares dentro da sala. Obviamente que ninguém olhava directamente para ele, evitando a todo o custo com ele cruzar o olhar, não viesse ele a ganhar ideias.

- Tu, aí atrás. Sim, tu! – o professor repetia uma e outra vez, enquanto o visado perguntava com trajeitos de incredulidade:

- Quem, eu?

- Sim, tu mesmo. Anda para aqui! – E pronto, o pessoal cabisbaixo e meio a resmungar, lá mudava de lugar. Sortudo como eu sou, acabei por ver chegada a minha vez e fui para não outro lugar senão a primeira fila. Entrei quase em desespero. Pensei para mim:

- Vou tirar cá uma nega! Assim não vou conseguir fazer nada na merda do teste! – E o teste acabou por ser distribuído e começou o tempo a contar. O Tadão veio encostar-se à minha secretária e enquanto se mantia de pé nesta posição,  bem à minha frente, abarcava com o olhar as restantes secretárias da sala.

Desesperei, passei-me, tive vontade de dar um enxerto de porrada no Tadão, até que acabei por me acalmar e descontrair.

- Perdido por cem, perdido por mil – Pensei e passei à acção.

Saquei as cábulas do bolso das calças (disfarçando como que a me coçar), coloquei-as em cima do tampo da cadeira e no meio das pernas, ganhei confiança e segui em frente. Como tinha a mão esquerda na testa e a tapar os olhos, jamais o Tadão iria aperceber-se para onde eu estava a olhar e que estaria a cabular e em grande. De onde ele se encontrava, mesmo à minha frente, estava num plano demasiado elevado para conseguir ver o que se passava bem à sua frente, na minha secretária.

O teste correu às mil maravilhas. A nota foi bem aceitável e penso que o pobre do Tadão nunca se tenha apercebido da minha alarve cabuladela, bem nas suas barbas. Acabou por ser exactamente aquele, o melhor local da sala para se poder cabular.

Quem consegue dissimular apercebe-se do quão fácil é enganar, de caras e à primeira vista, quem quer que seja.

 

 

publicado por Sweet Sex Teen às 10:39
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Sexta-feira, 7 de Agosto de 2015

Exército - O riso assentou praça no Regimento

A instituição castrense é um conjunto de homens, (mais recentemente também de mulheres), com as suas regras, virtudes e como não podia deixar de ser, os seus momentos cómicos. Uns porque são indivíduos absolutamente “cromos” os quais, de tão habituados à vida militar não se perspectiva que possam dar para mais o que quer que seja, outros porque são os chamados normais, e ainda os cómicos, que fazem com que nos deleitemos com os seus episódios e as suas imensas desventuras. Há um pouco de tudo.

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Pelas características da vida nas unidades militares, praticamente tudo, todos os eventos, prestam-se à ocorrência de situações que nos fazem rir. Um deles passou-se num Regimento de Infantaria, grande unidade que normalmente tem umas quantas centenas de homens nas suas fileiras. Neste caso falamos do Regimento de Infantaria de Beja, o qual, por se estar a aproximar o dia da unidade (data de aniversário), encontrava-se com a normal azáfama que visa “lavar a cara” à unidade. Eles são portas e janelas a serem raspadas e pintadas de fresco, substituição de vidros, pintura de paredes de edifícios, capinagem de ruas e à beira dos edifícios, limpeza da parada, etc, etc, etc.
O grande problema para esta efeméride consistia no facto de existir uma grande e normalmente bastante vistosa sebe no interior da unidade e a mesma actualmente apresentava-se completamente seca, de cor acastanhada, e nem com os cuidados de um jardineiro provido de qualidades divinas a coisa conseguiria ser composta.
Bem, lá chegou o tão esperado dia da unidade. As forças formaram na parada, fizeram um magnífico desfile os familiares dos militares e as visitas compuseram a coisa com a sua presença, o General Chefe do Estado Maior do Exército presidiu á efeméride. No final houve o petisco da ordem, com “rancho reforçado e melhorado” (o que só sucede em datas festivas) e no final do evento, o General CEME, a dirigir-se ao Comandante do Regimento, enalteceu o seu comando, a forma como a cerimónia foi preparada e decorreu (aquelas coisas da praxe) e mesmo antes de se ir embora, ainda cobiçou o magnífico trabalho do jardineiro ou da equipa de jardineiros que o Coronel teria sob o seu comando, pois a sebe, mesmo num ambiente bastante quente como é o de Beja, apresentava-se com um vigor invejável e extremamente viçosa, de uma cor verde brilhante como só as plantas na força de uma imensa saúde clorofílica costumam apresentar. O Sr. Coronel agradeceu ao General CEME, contudo não lhe revelou o seu segredo (o qual é agora a todos nós revelado). O agradecimento não deveria ser endereçado a nenhum jardineiro, antes aos carolas da secção auto (oficinas), os quais pintaram a sebe á pistola.

Por vezes, no meio militar, o “ser” e o “parecer” confundem-se e trocam de lugar entre si.

Num outro episódio, agora no Regimento de Cavalaria de Estremoz, o comandante (Coronel Calamares de Eneida, também conhecido pela alcunha de Boi Doidão), tinha o seu gabinete com vista para a parada e porta de armas, conseguindo assim controlar o fluxo de pessoal que se movimentava nas mesmas.
Ora, na sexta-feira era comum o pessoal desenfiar-se mais cedo para fora do Regimento, o que muito enfurecia o comandante, pelo que ele, sem se mostrar, mantinha-se atento ao pessoal que circulava pela parada e para onde íam. A dado momento, avista o Tenente Pardaleiro, o qual deslocava-se de forma muito descontraída e em direcção, precisamente, à porta de armas da unidade. Boi Doidão abriu a janela do seu gabinete e assomando o tronco de fora da mesma, lança para o ar a pergunta, bastante alto e a bom som:

- Pardaleiro!!! Onde é que tu vais? – Ao que o Tenente, tendo estacado, voltou-se na direcção da janela, e terá simplesmente respondido, embora de forma bastante bem audível:
- Vou cagar!!! – Bem, esta resposta desencadeou uma série de eventos. O primeiro foi o fechar com estrondo, da janela do comandante. Outros eventos prenderam-se com o pessoal que se encontrava nas imediações da parada no momento e que se desenfiou em passo de corrida por forma a se ocultar, por dois motivos, qual deles o mais importante:

  1. Libertar a enorme gargalhada aprisionada na garganta, o que não poderia ser feito em plena parada, pois daria a entender que se encontravam a rir da situação, do Tenente, ou pior, do comandante;
  2. Afastarem-se por forma a não serem identificados e arrolados como testemunhas, não fosse o comandante querer dar uma “porrada” (designação na gíria militar para punição disciplinar), ao Tenente, pela sua ousadia.

Claro que o à-vontade do Tenente tinha alguma razão de ser. Tanto ele como o comandante eram ex-alunos do Colégio Militar, e tratavam-se por “tu” em ambiente informal, apesar de um ser Coronel e o outro um simples Tenente.

A tropa tem destas coisas. Nunca estamos preparados para a próxima situação que nos faça esboçar um sorriso, ou arrancar uma estrondosa gargalhada.

publicado por Sweet Sex Teen às 22:23
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Terça-feira, 28 de Julho de 2015

Pilão - A Lei da Oferta e da Procura

 

Sendo o pilão um espaço semi-encerrado, uma sociedade dentro de outra sociedade, pela distância imposta pelo regime de internato, tornava-se o mesmo um alvo ideal para o teste à teoria da Lei da Oferta e da Procura, e assim pude constatar, por mim próprio, relativamente a material pornográfico (revistas, magazines, etc.)

Tinha um fornecedor mais velho, o R*, que me vendia material da mais "alta qualidade", ao peso, ficando este como o grossista, ou o importador, pois em boa verdade, era ele que colocava o material no interior do pilão.

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Munido deste "arsenal", e por forma a encontrar uns cobres extra para poder fumar mais umas cigarradas, lá ía ter com os meus clientes habituais, tendo o especial cuidado de não levar demasiadas revistas, face ao valor que eu pretendia realizar com a venda de cada uma delas.

Pude, in loco, constatar o seguinte: se mostrasse demasiadas revistas, rapidamente dava grande oportunidade de escolha aos interessados, os quais só adquiriam até determinado limite de valor, subindo inevitavelmente a fasquia da qualidade e inundando o mercado. Deste modo, o mercado ficava saturado e qualquer venda marginal que eu fizesse a partir desse momento, obrigar-me-ía a baixar substancialmente o preço unitário, pelo que após uma "saturação", tería que obedecer a um período de "defeso", de cerca de duas semanas, antes de poder voltar ao "mercado" com os preços que me convinham, e para o limite da procura.

Esta operação também não poderia ser feita de qualquer forma: se estivesse demasiado tempo sem aparecer no "mercado", surgia logo um concorrente a tentar tomar conta, se bem que, felizmente, sem a qualidade do meu produto.

Assim, tinha que saber balancear a quantidade que era colocada em circulação, com a frequência com que acedia ao "mercado", pois o dinheiro, tal como em qualquer outro círculo, é um activo escasso.

Ficou assim provada no terreno, a Lei da Oferta e da Procura.

 

 

publicado por Sweet Sex Teen às 17:20
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Sexta-feira, 3 de Julho de 2015

Pilão - A viagem de finalistas

 

 

 

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O culminar da nossa existência até então "naquela casa tão bela e tão ridente" seria a muito ansiada viagem de finalistas. Neste caso iriamos visitar vários pontos em Espanha, passando por Palma de Maiorca.

 

A ansiedade era tal pela partida para tão grande aventura, que na noite de véspera, muitos de nós acabaram por fazer a primeira de muitas directas. (A título pessoal contei 4 directas em 8 noites de viagem, não contando com a véspera do primeiro dia, claro está).

Lá partimos num grande autocarro de dois andares, sendo que na parte de baixo praticamente só iam o representante da agência de viagens, o Coronel Virtudes, o Professor Zé Milhas e respectiva esposa, e o nosso comandante de companhia, o Capitão Moranguinho. Fomos em direcção a Toledo, sempre imbuídos de uma imensa jovialidade, que nos fazia estar sempre a pregar partidas uns aos outros e em mil e uma brincadeiras. Na nossa visita a Toledo, a capital das espadas, não pudemos deixar de fazer verdadeiros torneios medievais (com as espadas que se encontravam expostas um pouco por todo o lado), para desalento e até fúria dos muitos vendedores que nos assistiam a passar por aquelas ruelas.

Findo o verdadeiro campeonato de espadachins que foi Toledo, lá rumámos a Albacete, onde acabámos por ter a primeira de muitas visitas que se encontravam agendadas, a uma base aérea, onde pudemos beberricar umas bebidas no bar de oficiais, enquanto assistíamos à operação dos caças Mirage, então utilizados pelos espanhóis. Nada de demasiado interessante.

No dia seguinte, continuámos viagem e, em Valência, embarcámos cheios de emoção no ferry que nos havia de levar a Palma de Maiorca. Aquilo é que foi uma farra e peras. A tripulação teve, inclusive que nos ceder acesso à discoteca onde, entre copos lá fomos ouvindo algumas cassetes que nos acompanhavam. À falta de um DJ com música seleccionada no momento, esta opção servia perfeitamente. A viagem decorreu durante a noite e, já pela manhã, pouco antes de aportarmos, eu e mais dois ou três camaradas encontrávamo-nos no bar a beber

una canha, quando chegou ao nosso lado o Zé Milhas, acompanhado da esposa. A nos ver de cerveja nas mãos, com a entoação que lhe era reconhecida, perguntou-nos:

- Já? – Ao que nós respondemos:

- Já não! Ainda………..

Começámos a rir com a sua cara de espanto.

Lá acabámos por desembarcar e fomos levados para o

El Arenal, o qual distava um bom bocado do centro da acção. Não demos demasiada importância a tal facto. Após termos deixado as malas nos quartos, e dado que iriamos permanecer três dias na ilha, tratámos de ir alugar motoretas. Como éramos pouco mais que cinquenta almas, à porta do hotel passaram a estar parqueadas cerca de 45 aceleras e uma mota 125, alugada pelo único elemento que já tinha carta de motociclos.

As nossas saídas do hotel eram algo do outro mundo. O pessoal ia ligando as motoretas e dando umas voltinhas à porta do hotel, enquanto esperávamos pelo resto do pessoal. Quando estávamos todos, fazíamos uma espectacular saída em bando, o que muito incomodava os hóspedes do nosso e de outros hotéis, (originando múltiplas queixas, para nosso gáudio), dada a barulheira que aquelas quarenta e muitas motoretas faziam a trabalhar (e a acelerar) ao mesmo tempo.

Era uma loucura ver aquela rapaziada a "abrir" por aquelas ruas e avenidas fora, uns quantos kamikazes a aventurarem-se em sentido proibido, e mais mil e uma tropelias. Aquelas

calles nunca mais foram as mesmas depois da nossa passada por lá. Felizmente não houve nem acidentes nem incidentes a registar  (tirando talvez o motor da minha motoreta, o qual tive o condão de conseguir partir, quando me aventurava numa subida para cima de um passeio. Como tinha feito seguro, muito a contragosto lá tiveram que me dar uma nova).

À noite, a nossa tão esperada ida  a Magalluf , onde podíamos ir a maiores e mais conceituados (principalmente frequentados por elementos do sexo feminino) bares e discotecas. Grande parte de nós acabou na BCM, aquela discoteca gigantesca. Fomos todos para o piso de cima, onde passava música de dança. Depois de já bem bebido apercebi-me que o Bracarêz (ainda mais bem bebido que eu), se encontrava do lado de dentro, junto às pesadas fitas de plástico que cobriam uma das entradas no piso. Cada rapariga que passava por ele levava com um apalpão e a pergunta, numa espanholês (tão cómico que fazia com que elas se começassem a rir, em lugar de lhe aplicarem uma valente estalada na cara):

- Ei Chica guapa, Quieres Fodilhar?

Lá deixei o Bracarêz na sua actividade de fazer partir a moca e vi o nosso camarada Bitoques, num dos bares. Aproximei-me a apercebi-me que este estava a ingerir uns cocktails assim um tanto ou quanto a dar para o marado e a desafiar o barman se não haveria por lá nada de mais forte. O barman, cocktail atrás de cocktail lá ía carregando na dose etílica até que, (naquele que haveria de vir a ser o último da noite para o Bitoques), lá lhe colocou no balcão uma verdadeira bomba etílica, acompanhada de uma frase que seria qualquer coisa como:

- Quiero ver como te vas zafar con este, português danado! - Claro que passados uns minutos, não o Bitoques, mas o seu estômago resolveu expulsar toda aquela quantidade de octanas que ele havia incorporado de forma tão alarve.

A noite foi um espectáculo, com a grande maioria de nós a chegar ao hotel já bem intoxicados. Basicamente os três dias de Maiorca foram passados assim, copos, night, uma visita às "cuevas del dracht" e uma fábrica de pérolas.

Já no regresso para o ferry que nos havia de levar de regresso ao continente, o Peles, bastante etilizado, vem em braços, auxiliado por dois camaradas. Ele estava mesmo perdido. Face ao espectáculo, o Capitão Moranguinho interviu, tendo começado a colocar-lhe perguntas e a mandar vir com ele por se encontrar naquele estado, ao que ele lhe respondia, com hilariante insistência:

- Non te entiendo, Capitón! Non te entiendo! - O Peles, com 3 ou 4 dias no território e umas quantas cervejas no bucho, parece ter adquirido e de forma automática, a nacionalidade castelhana. Claro que para não variar, foi mais um motivo para forte risada do pessoal.

De regresso a Valência, embarcámos novamente no autocarro e rumámos a Sul. Fomos parar a Benidorm, cidade esta que povoava o nosso imaginário de noites loucas de muitos copos e confraternização tórrida com elementos do sexo feminino. Nada disso iria suceder. Mais um sinal da péssima viagem que a agência nos havia preparado.

Iríamos passar o dia de segunda-feira em Benidorm e lá, à segunda está tudo, mas praticamente tudo fechado. Começaram as nossas ameaças veladas ao representante da agência, e promessas de vingança, etc. que lá íam afligindo o pobre homem. Contudo, uns quantos de nós lá conseguiram entrar numa daquelas casas de strip e, no seu interior, já munidos de "una canha", lá se prepararam para assistir ao show erótico que iria começar. Nem tudo estava perdido, pensaram eles.

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Apresentou-se na pista uma tipa meio balofa, mas nem isso os demoveu. Ela lá foi tirando as peças de roupa que tinha a mais, até ficar completamente nua. O seu corpo denotava que já seria uma veterana a desafiar a reforma (pelo menos naquela actividade artística), o que fez com que os aplausos fossem muito curtos. Mas…. Ela não se foi embora. Agarrou numa garrafa de cerveja,

fez passar a mesma pelos elementos da fila da frente, que puderam verificar que a carica estava bem presa. Após este acto, (que obviamente fazia parte do show), meteu o gargalo da garrafa na sua vagina e com um "pop", abriu a mesma, tendo a carica caído no chão com o barulho característico. Enquanto ela mostrava a garrafa ao pessoal, os aplausos subiam de intensidade pelo número fora do usual. Pousada a garrafa, no meio da dança meio desajeitada ao som de um "hit" de Tina Turner ou coisa que o valha, deitou a mão direita à sua vagina e tirou de lá um daqueles ramos de flores à mágico. O pessoal aplaudia efusivamente, o que conseguiu chamar a atenção dos seguranças, que começaram a acercar-se do pessoal. Acto contínuo, a bailarina manhosa lá foi novamente ao seu muito pródigo orifício parideiro e começou a tirar de lá um conjunto interminável de atados de lenços. Aquilo parecia nunca mais terminar. Ela, toda entusiasmada a sacar os lenços, enquanto o pessoal ía ao rubro com aquilo que estava a ver. Os seguranças já estavam no meio do grupo e prontos para colocar lá fora algum elemento mais exaltado do meio dos elementos muito exaltados que compunham a plateia.

Após os lenços, a "piece de la resistance!" A bailarina surgiu com uma lâmpada daquelas incandescentes, com casquilho E-27 e mostrou-a a todos. O pessoal ficou em silêncio, em verdadeira antecipação pelo que poderia de ali saír, até que a tipa, tendo parado no meio do palco, pernas semi-abertas, pega na lâmpada e, coloca-a na sua muito produtiva cavidade reprodutora e, na mais magnífica homenagem a Thomas Edison alguma vez feita desde o seu nascimento e invenção da lâmpada, o raio do artefacto acendeu! Deu luz!

O pessoal é que já não teve tempo de homenagear ninguém, pois o alto clamor dos seus aplausos conseguiu com que os seguranças os conduzissem liminarmente ao exterior do estabelecimento. Ficaram só com uma grande história para um dia contar.

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Após a "paragem" em Benidorm, era altura de rumarmos a novas paragens e, embarcados de novo no autocarro, lá nos fizemos à estrada. Fomos em direcção ao centro de Espanha. Passámos por Granada e fomos em direcção a Córdoba. Quando já estaríamos a menos de 100km de Córdoba, reparámos que à nossa frente seguia uma autocarro que seria o verdadeiro complemento do nosso. Gajas! Montes de gajas! Lá começámos a tentar comunicar com elas, indo, à vez à grande vidraça do 1º piso onde nos encontrávamos. No autocarro da frente, as moças só faltava iniciarem uma sessão de strip. Tinhamos a certeza que iria ser uma noite da mais saudável confraternização inter-sexo (no melhor dos sentidos, claro). A dado momento, com puro horror estampado nas nossas faces, reparámos que o autocarro delas seguia em frente e o nosso virava para uma estrada secundária. Imediatamente pensámos em fazer um assalto ao piso inferior, onde iriamos pedir contas ao representante da agência de viagens. Em lugar disso, foi lá abaixo o Peles (enquanto cá em cima eram feitas verdadeiras juras de morte ao representante da agência, acompanhados alto e a bom som, de evocações ao górdio, alcunha pela qual passou a ser conhecido o agente) e, passados uns momentos, regressou, tendo declarado que, por o hotel não ter confirmado a nossa reserva em Córdoba, iriamos passar a noite numa outra localidade, bem perto. A nossa raiva esmoreceu um pouco, até termos chegado ao local (que não passava de uma aldeia onde nem havia uma motoreta para alugar) e termos constatado que estaríamos a uns bons 60km de distância de Córdoba. A partir desta altura e até ao final da viagem, o górdio nunca mais se aventurou na rua sem que estivesse acompanhado do Zé Milhas, do Capitão Moranguinho e do Coronel Virtudes. Quem deve, teme, e ele temia, se facto que algum de nós passasse das palavras aos actos.

O resto da viagem levou-nos a Elvas onde passámos a noite numa caserna do então Regimento de Infantaria, sempre, mas sempre acompanhados daquele nó na garganta por não nos ter sido possível reunir com as musas que se deslocavam no outro autocarro……

Coisas de gajo, com adrenalina e glândulas a debitar hormonas à catadupa…..

 

 

 

 

 

publicado por Sweet Sex Teen às 17:07
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Quinta-feira, 4 de Junho de 2015

Exército - O português é um cidadão do mundo

Durante o exercício que levou a minha companhia à zona de responsabilidade norte americana na Bósnia i Herzegovina, tivemos a oportunidade de assumir a responsabilidade de patrulhamento dos americanos, enquanto estes se encontravam empenhados nos trabalhos de rotação das forças, (chegada de uma nova e partida da anterior).

Uma das zonas de responsabilidade seria a cidade de Srebrenica, onde foi empenhado um dos nossos pelotões. Uma das secções desse pelotão iniciou uma patrulha conjunta com os militares americanos que se encontravam disponíveis para nos explicar o que era necessário fazer. Percorreram as ruas e ruelas da cidade, os militares portugueses fardados normalmente, mas armados, e apenas de boina, o que correspondia ao dress code que o estado de segurança em vigor impunha. Já os americanos, íam sempre com o seu flak jacket (colete balístico) envergado e o capacete colocado na cabeça. Tal facto fazia com que os miúdos se divertissem a arremessar-lhes pedras, não no intuito de aleijar, mas tão somente porque achavam graça ao barulho que as pedrinhas faziam ao embater nos capacetes.

Dado que estava um dia bastante quente, e ao passarem em frente a um bar, os portugueses sugeriram aos americanos que entrassem por forma a beber alguma coisa fresca. Os americanos resistiram bastante, mas lá acabaram por aceitar acompanhá-los. Entraram pelo bar adentro, tendo obtido o silêncio, os olhares pouco amigáveis e todas as atenções dos locais que se encontravam no interior do bar. Os americanos estavam a ver que a coisa ainda ía dar para o torto. As coisas mantiveram-se neste ponto, até que um dos locais, mais próximo dos portugueses, identificando as cores da nossa bandeira na manga da farda de um dos nossos soldados, exclama alto e bom som, dirigindo-se aos restantes presentes no local:

- Португалски!!!!! Португалски!!!!![1]

- Cмоква[2]!!!!!, Cмоква!!!!! – E dirigindo-se para o balcão do bar, gritou:

- пиво[3]!!!! пиво!!!! – Lá vieram as cervejas para os portugueses, para os locais e também para os norte-americanos presentes, os quais pareciam estar a experienciar um sonho. Fez-se festa naquele local, beberam-se umas quantas cervejas e terá havido direito a abraços e tudo. No final, despediram-se e vieram embora, tendo retomado a patrulha. Os americanos interrogaram aos portugueses se já haviam estado naquele local, pois aparentemente os locais já os conheciam, tendo obtido a seguinte resposta, por parte dos portugueses:

- Não, nunca cá estivemos. É a primeira vez. Sabem, nós portugueses somos cidadãos do mundo. – Os americanos, admiradíssimos, fizeram silêncio.

E esta é a nossa realidade, verdadeiro motivo de gáudio para todos nós, portugueses. Onde quer que vamos, por muito difícil que seja a conjuntura do local, acabamos por fazer amizade com toda a gente, de todas as facções, e sem termos que dar tratamento preferencial a qualquer um deles. Aliás, a nossa longa história fala por si. Se não tivéssemos esta característica de cidadão do mundo, jamais conseguiríamos ter estado em tanto local do mundo, e com um vasto Império, baseado principalmente nas nossas relações com os outros povos e não tanto na repressão dos mesmos.

 

 

[1] Portugalski – Português em Servo-Croata, mas em cirílico, dado estar-se em território sérvio da Bósnia, na Republika Sprska;

[2] Figo, o famoso jogador de futebol e que fez mais pela diplomacia de Portugal no Mundo que o que conseguiria um Batalhão desenfreado de Ministros dos Negócios Estrangeiros, Embaixadores, diplomatas, e outras patas que tais;

[3] Pivo! – Cerveja, em Servo-Croata.

publicado por Sweet Sex Teen às 17:44
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Pilão - Das aulas - XI - O estrabismo e as suas consequências

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Numa qualquer aula de matemática e a propósito de nada, o camarada Topo-Gigio, que se sentava na secretária mesmo em frente à secretária da professora, olhando fixamente para os olhos da professora Paulinha, lembrou-se de lhe dizer:

- Setora! A setora tem os olhos tortos! – Mais constatando um facto em voz alta que fazendo uma acusação, mas conseguindo chamar a si, de imediato e na totalidade a atenção da professora que, parando a aula, responde-lhe:

- Mas isso é por causa das lentes de contacto, queres ver? – Acto contínuo, e com a atenção de todos os alunos da turma sobre si, uma após a outra, lá removeu as lentes de contacto, findo o que olhou ostensivamente para o camarada Topo-Gigio, mostrando os seus olhos muito abertos, esperando talvez uma resposta positiva por parte deste camarada que, em lugar de estar calado, voltou à carga:

- Mas professora, os olhos estão tortos na mesma! – Esta sua afirmação teve o condão de conseguir soltar umas quantas gargalhadas do resto da turma e de ao mesmo tempo o condenar em definitivo. Nunca mais o Topo-Gigio viria a ter uma única nota positiva a matemática com aquela professora, tendo acabado por chumbar e abandonado o Pilão.

Verdades há que têm que ser mantidas em silêncio, apesar de não deixarem de ser verdades.

publicado por Sweet Sex Teen às 17:34
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Terça-feira, 19 de Maio de 2015

Pilão - O 25 de Maio, os antecedentes e a paródia de Domingo à noite....

 

Algures nos finais dos anos 80, ou inícios dos anos 90, (já não consigo precisar com exactidão), num dado Domingo à noite, (que antecedia a semana das comemorações de mais um 25 de Maio), eu e os camaradas da margem sul que faziam parte do mesmo grupo, (como éramos 5, os nossos pais organizaram-se entre eles, criando uma escala para nos levar e buscar ao pilão, o que constituía uma grande poupança), após entrarmos á porta de armas e ter dado a entrada no gabinete do oficial de dia, (guarnecido pelo sargento de dia), e à medida que começámos a deslocar-nos para o edifício da 4ª companhia, fomo-nos apercebendo que algo de muito errado se estaria a passar:

Em primeiro lugar, havia pessoal dentro da piscina (já coberta), em faustosa actividade de dar uns valentes mergulhos e gracejar, e rir e mais sei lá o quê, fazendo um barulho infernal.

Em segundo lugar, ouvia-se ao longe, gritos de pessoal a chamar uns pelos outros, misturados com fortes gargalhadas. Logo que nos abeirámos mais do edifício da 4ª, (e na parada inferior), apercebemo-nos que se encontrava meia dúzia de camaradas cá em baixo, a dar potentes pontapés nas bolas provenientes de um saco de rede (que devem ter ido roubar ao Pereira), na tentativa de acertar no pessoal que se deslocava de forma assustadoramente célere, nos andaimes que cobriam a fachada principal do edifício. Estes indivíduos corriam de quarto em quarto, entrando por uma janela e voltando a saír por uma outra qualquer, em fuga da pontaria dos goleadores da parada e do oficial de dia (de sua alcunha o piton), que ora aparecia numa 

janela, ora noutra a seguir, na clara tentativa de conseguir deitar a mão a um dos meliantes que o provocavam, sem qualquer sucesso, diga-se de passagem.

Num repente, vê-se passar um contentor do lixo, (embalado pela rampa em frente ao bar de alunos e professores), com 3 indivíduos a ulular lá dentro, até se imobilizar junto ao muro (felizmente sem quaisquer danos a apontar, nem ao material, nem ao pessoal);

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Para cúmulo, começa a ouvir-se o forte ruído proveniente de uma qualquer máquina, o que nos levantou mais interrogações: que se passaria agora? (Como houve a necessidade de se proceder à repavimentação de grande parte do pavimento da 1ª secção, toda a maquinaria para tal desiderato, encontrava-se junto ao jardim da palmeira). Surge, no escuro, o vulto de um cilindro, conduzido da forma possível por um dos camaradas mais velhos, o qual pensou que talvez fosse engraçado dar uma "voltinha" em tão inusitada maquineta, acabando por a mesma ficar imobilizada também junto ao muro, na zona da caixa de areia.

Foi uma noite sem igual, algo do outro mundo, dadas as paródias a que o pessoal se prestou. Imagino o enorme sentimento de frustração sentido pelo piton, por não ter conseguido deitar a mão a nenhum dos brincalhões, nem ter conseguido parar com as inúmeras brincadeiras que decorreram naquela noite…..

Em jeito de epílogo desta louca noite, apenas há a registar o facto de, mais uma vez, as cerimónias do 25 de Maio decorreram de forma perfeita, como aliás é apanágio dos alunos daquela "casa tão bela e tão ridente".

 

 

publicado por Sweet Sex Teen às 17:15
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Outras Situações - O Ressuscitado

 

E porque nem só do Pilão, da AM ou do Exército vivem as memórias, trago-vos hoje algo diferente........

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Em Agosto de 1993, estando eu a gozar férias no Algarve, fui com uns amigos tomar uns copos na noite de Portimão. No regresso, altas horas da madrugada, antes de chegar às Caldas de Monchique, e após uma pronunciada curva à direita, apercebemo-nos que algo não estava bem, nomeadamente com uma viatura por que tínhamos passado.

O condutor resolveu dar meia volta e só então percebemos o que tinha acontecido: um Renault 5, aparentemente com dois ocupantes a bordo, havia chocado de frente com um enorme eucalipto, parecendo ter abraçado o mesmo. O condutor, literalmente esmagado entre o seu banco e o volante, contorcia-se com dores. Já o indivíduo que circulava no lugar do pendura, apesar de também se encontrar preso entre o banco e o tablier, aparentava estar bem, e queria livrar-se daquela sua prisão. Nunca mais me esquecerei do cheiro da gasolina, misturada com outros cheiros, (mistura esta precipitada pelo acidente), que se podiam sentir no ar.

Era hora de tomar decisões e assim, o nosso amigo que vinha a conduzir, dirigiu-se até à Vila, por forma a ir buscar auxílio nos Bombeiros. Eu e outro amigo, ficámos por ali, a ver o que podíamos fazer. Ao tentar auxiliar o pendura a saír do carro, apercebemo-nos da presença de um terceiro elemento, deitado numa posição estranha entre os bancos da frente e os bancos de trás. Como a cabeça dele estava literalmente debaixo do banco do pendura, refreámos o pendura na sua aflição de saír do local, por forma a que ele deixasse de exercer pressão no banco, caso contrário, complicaria bastante a situação do terceiro elemento.

Dada a posição pouco ortodoxa em que o terceiro passageiro se encontrava, não seria, de todo, desejável que o mesmo fosse de alguma forma manipulado, a não ser por uma equipa especializada, não fosse sofrer de algum dano que pudesse vir a ter

consequências mais gravosas. Mas como o pendura insistia na sua ânsia de sair do carro, prestei-me a abordar o terceiro elemento. Nessa altura, reparei que o chão do carro era uma pasta ensanguentada, originada por este terceiro elemento. Ainda assim, tomei-lhe o pulso, por forma a determinar se tinha ou não pulsação. Nada…. Fui então palpar o pescoço, do lado esquerdo, a tentar detectar pulsação na artéria jugular. O mesmo resultado…. Uma e outra vez, no pulso, no pescoço, junto à carótida, e nada….. nem quis acreditar que tal coisa estaria a acontecer, e tinha que me calhar logo a mim, ter dado de caras com um indivíduo já falecido . Transmiti esta informação ao outro meu amigo, sem que os dois encarcerados se apercebessem do teor da nossa descoberta, (não fossem entrar em pânico ou ter uma qualquer reacção que seria tudo menos desejável naquele momento), e decidi-me então por puxar o falecido para cima do banco de trás, por forma a que pudéssemos fazer alguma coisa pelos outros indivíduos da frente. Colocando o nosso pesar de lado, auxiliámos o pendura a saír do carro, o qual acabou por se sentar no chão, apenas dorido pelo efeito da colisão, e fomos para junto do condutor, animando o mesmo o melhor possível pois, dado que o mesmo se queixava com fortes dores nas costas, seria de todo imprudente, com a nossa falta de meios e

principalmente, de conhecimentos, auxilia-lo a sair da posição em que se encontrava a qual, apesar de incómoda, acabava por lhe dar alguma estabilidade.

Passados uns momentos, apercebemo-nos de um vulto junto ao carro. Olhámos para o interior do carro, não vimos ninguém no banco de trás e aí concluímos que o indivíduo que minutos antes havia sido dado como morto, caminhava desamparado e a cambalear. Ficámos atónitos. O morto havia-se levantado do carro……

Dirigi-me de imediato a ele, amparando-o, e levando-o a sentar-se com as costas direitas e encostadas a uma árvore. Só nessa altura vi a cara dele, totalmente ensanguentada, com sangue coagulado pendurado do sítio onde deveria ser o seu nariz, e ouvi a sua respiração, ofegante, profunda e com um ruído bastante desagradável. Mantive-me junto dele, principalmente para evitar que ele adormecesse, até que chegou ao local a equipa de emergência que o nosso amigo havia alertado, já na vila. Tomaram conta da ocorrência e levaram os três sinistrados para o hospital de Portimão.

Mais tarde vim a saber que o condutor tinha umas quantas costelas partidas, mas nada demasiado grave, o pendura tinha sofrido só umas escoriações, e que o terceiro elemento, tinha entrado em coma, situação essa que durou cerca de dois ou três dias, tendo posteriormente sido submetido a uma cirurgia à face, tendo também, ferimentos ao nível das costelas, mas acabando por ficar relativamente bem.

Nunca mais me esquecerei deste episódio… principalmente pelo facto de, apesar de todas as minhas diligências para determinar a condição do indivíduo do banco de trás me terem levado a concluir que ele estaria morto quando, na realidade…..

Acho que nunca saberei exactamente o que aconteceu……

 

 

 

publicado por Sweet Sex Teen às 17:08
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Sexta-feira, 8 de Maio de 2015

O livro..... na incubadora......

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Caros seguidores, espreitas, curiosos, e demais leitures assíduos ou não deste singelo blog,

Como deve ser do vosso conhecimento, houve a ideia de avançar com estas histórias que aqui têm vindo a ser publicadas, para algo de maior envergadura. Sim, foi decidido editar estas histórias em livro.

As histórias irão levar um retoque, por forma a dequá-las ao novo formato, mas sempre com o mesmo registo, a verdade dos factos e a não divulgação da identidade dos intervenientes, mesmo que tal possa deixar muitos de vós "em pulgas".

Assim, resolveu-se fazer uma pré-subscrição, a qual consiste numa reserva antecipada do livro, mediante o seu pagamento ainda nesta fase. Como benefício, o subscritor verá o seu nome no livro, nos agradecimentos, e receberá um exemplar do livro autografado e com uma dedicatória (nunca se sabe se não virei a ser um escritor de sucesso e se esse vosso exemplar não irá valer uma fortuna no e-bay :-D).

Esta opção deve-se à exigência de todas as editoras, da aquisição de um número considerável de livros por parte dos autores, o que muitas vezes fica um pouco além das capacidades imediatas dos autores, como é o meu caso.

Entretanto, continuam os trabalhos de limar arestas aqui e ali, por forma a possibilitar o tão almejado objectivo de produzir o livro.

caso estejam interessados em colaborar e a aderir a esta modalidade, agradeço que me enviem um e-mail para "laranjas572@gmail.com"

Muito obrigado.

Aquele Abraço

publicado por Sweet Sex Teen às 21:03
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Academia Militar - Um Tenente sui generis….

Por vezes, no decurso da nossa vida, cruzamo-nos com pessoas que são verdadeiramente fora de série, uns por este motivo, outros por outro motivo e uns outros, por se constituírem como pessoas que, não sendo cómicas, provocam, deliberadamente ou não, situações verdadeiramente hilariantes.
Desta vez trago-vos o mui garboso Tenente C*, da mui nobre e augusta arma de Infantaria, como ele amiúde gostava de se referir à sua arma no Exército.


Anteriormente relatados, surgem-nos os episódios do LAW, bem como das operações de segurança.
Desta vez, acrescento mais qualquer coisa. Este senhor era tão pródigo em situações verdadeiramente divertidas, que por si só merecia um capítulo dedicado a si.
Recordo-me das palavras de um camarada cadete, que relatou a ocorrência decorrida durante um almoço na mesa de comando do aquartelamento da Academia Militar na Amadora. Tal ocorreu a uma quinta-feira, dia em que o comandante geral da AM aparecia ou fazia-se representar na Amadora para a formatura do almoço e para tomar a refeição. Desta vez terá vindo o Brigadeiro segundo comandante, que se fazia acompanhar por um séquito de oficiais do Estado Maior. Durante o decurso do almoço, algum destes oficiais terá mandado uma qualquer piada, a qual teve o condão de despertar uma risada sabuja no grupo de oficiais que se encontrava à mesa. Quando o nível do riso diminuiu bastante ou desapareceu, foi possível ouvir o Tenente C*, alto e bom som, a comentar o seguinte:
- “Foi por causa de merdas destas que eu vim recambiado da sede para a Amadora”……
O efeito obtido foi de uma quase incontrolável vontade de rir por parte de alguns, e a vergonha e embaraço de outros. Deu para constatar que se tratava de um militar “sem papas na língua”.
O bom do Tenente poderia ser um pouco “desbocado”, mas não seria por isso que era menos comprometido com o serviço. Recordo-me que quando me cruzei com ele no BIMec, já com o posto de Capitão e com a função de oficial de logística, levava as contagens do consumo de água e de electricidade tão a sério, que pugnava por ser ele o oficial que apresentava invariavelmente os menores consumos no relatório de oficial de dia, mesmo que para que tal fosse possível, recorresse aos préstimos do pessoal de serviço no fim de semana, para cortar a água e a electricidade em grande parte da unidade…….
Num outro episódio, decorrido durante uma instrução de ordem unida com espada, quando o Tenente C* deu a ordem de sentido ao pelotão, reparou que um elemento dos PALOP, já de certa idade e que apresentava uma farta bigodaça, tinha a bainha da espada perpendicular ao solo (era e é suposto a bainha da espada cair ao longo da perna esquerda, afastando-se a ponta da mesma cerca de 20 a 30 cm para trás, relativamente ao tacão do sapato esquerdo). Não se contendo, e com uma entoação muito característica, lá vociferou:
- “Uuuuhhhhhh……….. O Samurai da ilha do fogo!!!!!!!!!!”
Escusado será referir que o restante pessoal, na sua esmagadora maioria, não conseguiu suprimir a gargalhada que imperava coroar o momento, mesmo arriscando-se a um qualquer castigo físico que ao Tenente C* pudesse aprouver. 

Este Tenente, tendo demonstrado amiúde que era detentor de uma cultura fora de série, não poderia ser rotulado de louco ou de afectado psicologicamente, a não ser de forma benigna……
Recordo-me de um outro episódio, em que estando eu dispensado de exercícios físicos, e por ser ele o instrutor de G.A.M. (Ginástica de Aplicação Militar), que iria ministrar a aula à minha turma, fui dar com ele de pé no meio de um campo de capim. As ervas chegavam-lhe à altura dos bolsos do peito. Reparei que as mesmas se agitavam bastante (mais que o normal movimento provocado por uma brisa de força média). De repente, oiço-o a dizer, alto e a bom som:
- “A erva é amiga”;
Logo seguido de um coro em resposta:
- “A erva é amiga”;
De seguida, nova declamação do Tenente:
- “A pulga é amiga”;
Ao que o coro respondeu:
- “A pulga é amiga” ;
– O Tenente tinha a turma toda deitada no solo, a rastejar e lá ía mandando estas praxadelas orais, enquanto ministrava uma grande praxadela física. Obviamente que os movimentos detectados no capim, eram provocados pelos movimentos do pessoal, a rastejar junto ao solo…..
Num outro episódio, em que estando no campo, a sua turma se encontrava a fazer uma progressão no terreno e, à chegada do Capitão M* P*, (o responsável pela instrução de TIC – Técnica Individual de Combate), junto do Tenente C*, perguntou-lhe:
- “Ó C*, quais sãos os teus?”;
Imediatamente, o Tenente ordenou, bem alto:
- “Turma Golf!!!! Deitou!!!!; - Ao que o pessoal imediatamente instalou no terreno. Voltando-se para o Capitão, disse-lhe: 

- “São aqueles, Meu Capitão. Não se conseguem ver, mas eles estão lá……”
O Tenente C* havia sido nomeado comandante de pelotão de instrução durante a PAM, (Prova de Aptidão Militar), tendo-lhe cabido o comando de um pelotão de candidatos militares, (pessoal que encontrando-se na situação de contratados, poderiam concorrer ao quadro permanente do Exército, tendo para tal que conseguir entrar na AM e concluir um dos seus cursos).
Dado que os militares, numa óptica de se distanciarem dos restantes candidatos civis, tinham a mania que sabiam tudo, de tudo o que era alvo de instrução durante a PAM, as instruções do Tenente C* eram sobremaneira diferentes que o normal. Numa instrução de uma hora sobre determinado equipamento, quer seja de armamento ou de equipamento, normalmente corria-se durante 50 minutos e fazia-se uma pausa para instrução, durante 10 minutos. Bate certo. 50 mais 10 são 60, o que corresponde a uma hora……

Na altura, estávamos num Curso de FGC (Formação Geral Comum), com os três Ramos das Forças Armadas. Notou-se que os oficiais superiores da Armada e da Força Aérea manifestavam alguma preocupação relativamente a supostos abusos na instrução que era ministrada aos cadetes, pelo que passaram a acompanhar mais de perto o decurso das mesmas, por forma a poderem avaliar “in loco” se tal se verificava. Assim, acompanharam-nos numa semana de campo que fizemos na tapada militar de Mafra (EPI), em Dezembro de 1993. Durante o dia, iam visitando os diversos pelotões durante a sua instrução, por forma a se inteirarem da forma como os cadetes estariam a ser tratados e das matérias que eram leccionadas, (as quais teriam essencialmente a ver com Técnica Individual de Combate).
Numa destas acções de “inspecção”, ao descerem uma colina, foram-se aproximando do pelotão do Tenente C*, o qual se encontrava formado em “U” dentro de uma poça de lama que deveria dar pelo início das canelas do pessoal. Assim que o Tenente C* se apercebeu da aproximação de tal comitiva, reage imediatamente, dando a seguinte voz de ordem unida, alto e bom som: 

- “Atenção! Deitou!!!!!
É claro que o pessoal obedeceu prontamente e ficaram espojados na lama. Perante o ar meio incrédulo e até confuso dos oficiais que faziam parte da comitiva, o Tenente C* lá terá mandado o pessoal colocar-se de pé e em “sentido”, obtido a necessária autorização por parte do oficial mais antigo para mandar colocar o pessoal “à vontade”. Seguidamente, e em jeito de justificação, terá declarado para os oficiais superiores que, dada a aproximação inopinada destes ao local de instrução, havia tido um lamentável engano, que fez com que os mandasse instalar no solo, em lugar de se colocarem em sentido.
Apesar de tudo o que foi relatado, confesso que desconheço se o bom do Tenente C* era mesmo assim, ou se tinha uma qualquer retorcida necessidade de praxar a malta durante as instruções. Por mim, avançaria pela segunda possibilidade………..

publicado por Sweet Sex Teen às 20:55
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