Domingo, 28 de Dezembro de 2014

Academia Militar - O valor de uma cerveja......

Nos inícios dos anos 90, era eu um garboso cadete da Academia Militar, no seu primeiro ano. A vivência dentro daquela ilustre instituição tinha sempre algo de “sui generis” e por vezes surreal, mas era algo a que todos nós nos adaptámos muito rapidamente, passando a considerar tudo ou quase tudo, como normal.
Obviamente que numa instituição de ensino militar, teríamos no nosso horário matérias que nos abrissem a porta à arte da peleja. Uma, em particular, dava-nos cabo do juízo (e principalmente do corpinho), que era a aula prática de TIC (Técnica Individual de Combate).
A estas aulas, era imprimido um ritmo bastante elevado, quer pelos desígnios do capitão que era responsável pela instrução, quer pelos comandantes de pelotão (jovens tenentes, com o sangue na guelra), que amiúde embarcavam numa competição entre si, o que nos colocava sempre em redobrados trabalhos.
Numa quarta-feira solarenga, deslocámo-nos (sempre em marcha forçada, acompanhada dos característicos “chega a frente”, “não pára”, “não corre”, etc.), para o “playground” das antenas (um dos planaltos que ficava próximo ao supermercado Continente da Amadora) e que era utilizado com alguma frequência para as ditas instruções de TIC.
Naquele dia, passámos a maior parte do tempo a “amassar picos”, ou seja, deitarmo-nos em cima dos montes de tojos que decoravam a colina um pouco por toda a parte, bem como rastejar por cima dos mesmos, enquanto um velho jipe UMM circulava em nosso redor, com um equipamento de som que debitava bem alto e de forma “non-stop”, a música “doçuras”, dos Xutos e Pontapés.
Dada a intensidade da acção que decorreu naquele dia, o meu pelotão encontrava-se completamente exausto, o pessoal estava com bastante calor e com uma sede incrível e eis que se aproxima do pelotão, aquele alto capitão, de garrafa de cerveja sagres em
punho e, com um ar bastante consolado, dá uma enorme gole na mesma, tendo feito o característico “ahhh” no final. Fitou-nos por uns momentos e declarou:
- Esta cerveja (ou o pouco mais de metade que restava da mesma) vai circular por todos vós, e tem que chegar para todos.

C1BA2.jpg

 


Recordo-me perfeitamente, (quando foi a minha vez de levar à boca aquela garrafa de cerveja), de sentir a frescura daquele líquido e a enorme tentação de engolir todo o conteúdo da garrafa. Naquele momento, em que passei a garrafa ao camarada do lado (e tendo apenas molhado os lábios), recordo-me perfeitamente de ter pensado que, naquele preciso momento, seria capaz de dar 10.000$00 (dez contos) por uma garrafa de cerveja.
Resta dizer que ainda sobrou cerveja na garrafa, o que provocou um esgar sorridente na face ao dito capitão.
Existem coisas tão simples na vida, às quais damos tão pouca importância, por termos assumido as mesmas como garantidas, que só numa situação de ausência, conseguimos dar-lhes o devido valor (e mais, até)…..

publicado por Sweet Sex Teen às 02:46
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Pilão e os seus mitos. Assalto ao refeitório II

Dizem as más línguas, que determinado camarada nosso, em cerimónia oficial onde foi galardoado com um prémio de exemplar comportamento, apresentou-se com um bastante visível penso numa das sobrancelhas, ferimento este que terá sido causado por uma fuga repentina do refeitório, por forma a não ser apanhado pelo oficial de dia. O tal camarada terá saltado de uma das janelas do refeitório e batido com a testa numa protecção de um caixote do lixo, o que lhe provocou tal ferimento;

publicado por Sweet Sex Teen às 02:44
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Pilão e os seus mitos. Assalto ao refeitório I

Sempre ouvi dizer que houve um certo assalto ao refeitório, para o qual o pessoal utilizou o fato de treino e a tradicional capa azul para a chuva.

Gas-flame-006.jpg

 

Após terem sido reunidos num tacho, os víveres que iriam satisfazer o enorme apetite dos incautos assaltantes e improvisados comensais, o camarada responsável por acender o fogão (daqueles industriais, com bicos enormes), antes de ir à procura de uma fonte de ignição (isqueiro ou fósforos), terá, de forma bastante incauta, aberto antecipadamente o bico do gás que iria ser utilizado.
Ora, no momento em que se dá a chama, formou-se uma enorme labareda, tendo (felizmente) como única consequência, a queima das pestanas e sobrancelhas do pessoal que se juntou á volta do fogão, bem como o desaparecimento de grande parte da capa azul (tendo o pessoal ficado apenas com as costas e partes das mangas, para recordação;

publicado por Sweet Sex Teen às 02:39
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Terça-feira, 16 de Dezembro de 2014

Pilão - Os queijos e o sabão

 

Certo dia, estando nós num famosíssimo quarto da 3ª Companhia, mais precisamente o quarto do graduado de alcunha C* (que tinha uns despertares a dar para o violento), e estando munidos de uma quantidade considerável de queijos (aqueles queijos em triângulo e em invólucro individual), provenientes de uma das célebres investidas ao refeitório em regime de after hours (vulgus assalto ao refeitório), estávamos em amena conversa da treta quando, um de nós, teve a brilhante ideia de arremessar um dos queijos para a parede do edifício das nossas camaradas do lado (na parte sul do pilão funcionava um colégio de correcção feminino), e constatámos com enorme espanto, que o queijo espalmou-se e ficou colado á parede….

Triângulo queijo.jpg

 

Imediatamente a mesma ideia brilhou vivamente na cabeça de cada um de nós e, lá demos início à nossa sessão de arremesso de queijos para o edifício do lado. Era giro ficar a ver aquelas pratas esparramadas na parede e, entre largas gargalhadas, lá íamos fazendo os nossos arremessos, até ao momento em que se acabaram as munições….

Perante tal evento, e sem termos nada para efectuar nem mais um único arremesso, um de nós resolveu abrir o armário do 11* (ausente no momento) e, tendo agarrado no seu sabonete, impulsionou o mesmo, de forma vigorosa, tendo ficado este, também colado na parede, juntamente com aquela meia centena de queijos…..

Já após termos gozado o prato, voltámos ás nossas conversas da treta, este professor isto, aquele professor aquilo, quando se abre a porta e entra o nosso camarada 11* de rompante. Olha para nós com olhar desconfiado, desloca-se até junto à secretária (a qual ficava em frente á janela) e, tirando uma mirada lá para fora, passados uns segundos, exclama em verdadeiro êxtase:

- Eia tanto queijo!!!!!! – E desata a rir que nem um desalmado, quase lhe faltando o ar, até que, numa nova olhadela para a parede, exclama:

-Eia um sabão!!!!! – E quase que lhe falta o ar de tanto ria até que, subitamente, ficou sério a olhar lá para fora, e numa expressão de puro desânimo, exclama:

- É pá, mas aquele sabão é o meu!!!! – Todos nós desatámos numa risada geral, face à reacção do nosso camarada 11*, que começou a insultar-nos, chamando seus isto, seus aquilo…..

Tal espectáculo e o resultado do mesmo, não terá sido presenciado apenas por nós…. Um graduado da 4ª companhia também teve a oportunidade de ver a nossa "obra" e chamou-nos lá acima.

Após correctivo, (o qual já sería de esperar), lá fomos para o telhado da formação, com uma vara comprida e duas vassouras amarradas um à outra, proceder á manobra de fazer caír os ditos queijos para o chão. As faces estavam quentes, mas no nosso íntimo, ficou mais uma das muitas aventuras características da malta jovem…..

publicado por Sweet Sex Teen às 17:19
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Exército - O Zézinho vai de fim de semana

 

 

Q.jpg

 

 

Há uns anos, o dia de sexta-feira transmitia uma alegria bastante acentuada, para os que seguiriam de fim de semana naquele dia.

Normalmente os sacos de roupa suja para levar para casa, eram preparados na noite de quinta-feira, e complementados já no final de sexta-feira, com a roupa do dia.

Contudo, nos alojamentos de oficiais, passou a existir uma atenção redobrada na conferência dos items que seguiriam no interior do saco: passou a haver um inquilino dos alojamentos de oficiais que, de forma aleatória (ou talvez não), escolhia um oficial para que este o levasse de fim de semana.

Este inquilino não era mais senão um falo de proporções bastante acima do comum, talhado em madeira, e a quem o pessoal apelidou de Zézinho.

Normalmente, entre a noite de quinta-feira e a tarde de sexta-feira, era brincadeira usual, alguém ir á procura da bagagem de um incauto e, no meio da roupa suja, camuflar este elemento o qual, amiúde, só era identificado quando a mãe, namorada ou esposa do pobre azarado que o levou, o identificava no meio do monte de roupa suja, normalmente com grande surpresa, como se poderá imaginar.

Muitos dos infelizes contemplados chegavam a andar "de trombas" por boa parte da semana seguinte, em resultado desta brincadeira, semana a qual em que o Zezinho acabava por escolher a sua nova vítima…..

publicado por Sweet Sex Teen às 17:17
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Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2014

Exército - O desfile do 25 de Abril……

 

Ano de 1998. Bem cedo na manhã do dia 25 de Abril de 1998, e após ter sido passada revista ao pessoal, lá embarcámos em boa ordem nas viaturas da Brigada, as quais nos transportariam a Lisboa.

À frente, uma equipa de dois batedores da GNR, nas suas motos, a auxiliar no deslocamento. Tudo corria bem até que chegámos a Lisboa. Em plena 2ª Circular, a viatura da frente fez alto e nós, atrás, por imitação fizemos o mesmo. Como chefe da 2ª viatura fui à viatura da frente por forma a saber o que se passava, se se tratava de alguma falha mecânica ou outra coisa qualquer. O Major (.) disse-me que os militares da GNR, por serem do Norte do país, não conheciam Lisboa, pelo que tiveram a atitude sensata de parar, antes de começarem a inventar e nos terem enfiado na Amadora ou algo do género (já pensava eu de mim para mim).

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O Major então perguntou se eu era de Lisboa ou se conhecia o trajecto daquele ponto para o Parque Eduardo VII, ao que respondi afirmativamente. Após ter avisado na minha viatura que ía passar para a viatura da frente, lá retomámos o deslocamento, com os batedores no meio da coluna, mas prontos a intervir caso surgisse alguma dificuldade no trânsito.

Lá chegámos finalmente ao Parque Eduardo VII, e ainda dentro do horário previsto. Como o BIMec iria desfilar unicamente com forças apeadas, lá formámos o pessoal. Naquele ano, iriamos desfilar a duas companhias, cada uma delas composta por um pelotão em frente de seis (na realidade dois pelotões, lado a lado).

Os militares do Batalhão, garbosos, estavam impecáveis, com aquele lenço escarlate, representativo da Primeira Unidade Mecanizada do nosso país.

Assim que começou o desfile, marchámos, com a pompa que a circunstância exigia, angariando aplausos e gritos de saudação um pouco por toda a Avenida da Liberdade, havendo, inclusive, alguns camaradas nossos que, estando no merecido gozo do

feriado, mesmo assim se deslocaram à Avenida para nos ver desfilar e para puxar por nós.

2552309.jpg

 

À frente deste Batalhão (menos) desfilava o nosso Major (.), também ele garboso, todo ele orgulho, peitaça inchada, e de tal forma se deixou enaltecer pelos aplausos que a assistência dava que, ao chegar ao Rossio, onde era suposto parar o desfile, "meteu uma abaixo" e levou o Batalhão um pouco mais abaixo, até à Praça do Comércio, e certamente não avançámos muito mais, porque demos de caras com o Cais das Colunas…..

publicado por Sweet Sex Teen às 19:15
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Pilão - A última noite e o mega salto ao muro

 

Talvez no meu 11º ano, recordo-me que o pessoal da quarta companhia, (11º e 12º ano), na véspera do último dia antes das férias grandes, solicitou, na esmagadora maioria, a necessária autorização aos graduados, por forma a poder saltar o muro para ir jantar fora, ou somente deambular um pouco lá fora, longe das paredes do Pilão.

Mais ou menos à hora do jantar na primeira secção, um após outro, depois mais outro, até que em grupo, o pessoal abordava o muro para o transpor, ao ponto de ser visível uma significativa quantidade de pessoal a percorrer a parada a descoberto e a executar o salto.

muro1.jpg

 

O salto era sempre um pouco complicado, dado que tínhamos que efectuar o deslocamento do quarto até às imediações da parada, a corrida para atravessar a parada no mais curto intervalo de tempo possível, e o muro propriamente dito o qual, com a nossa preparação física da altura, era transposto com um passo dado no próprio muro, e o agarrar da parte superior, que era um intricado em alvenaria. Nos dias de hoje, o mesmo está virtualmente intransponível.

Na varanda da sala de oficiais e sargentos, um grupo de oficiais, a tomar o digestivo após jantar e a fumar o seu cigarrito, riam a observar o pessoal, numa cedência inusitada, dado que durante todo o ano, o oficial de dia tentava por todas as vias (alguns até de forma bastante rebuscada, chegando a esconder-se dentro do contentor do lixo que ficava junto ao muro), "caçar" o pessoal que tentava transpor aquela linha de separação com o "mundo lá fora".

Naquele dia, até o Sêlo quis ir e, dado o seu volume e a inerente dificuldade em se empoleirar no muro, teve que ser ajudado, mas conseguiu……

Foi algo de diferente, mas que soube tão bem, apesar de ter faltado aquele élan dado pela fuga ao oficial de dia……..

publicado por Sweet Sex Teen às 19:11
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