Segunda-feira, 30 de Março de 2015

Pilão - O carnaval e outras partidas - VI - A cama à espanhola

Uma partida muito frequente, consistia na chamada "cama à espanhola". Utilizando o lençol de cima, davam-se dois nós nas pontas e colocando as mesmas por baixo do topo do colchão, o lençol era dobrado, por forma a fazer a dobra característica, por cima dos cobertores.

fold2.jpg

 

O coitado dono da cama, quando se ía deitar, tinha uma enorme surpresa, pois não conseguia esticar as pernas, sem que, muitas das vezes, percebesse porquê, logo de imediato.

Não existe regra sem excepção. Um nosso camarada, assim mais "brutinho" conseguiu deitar-se sem sobressaltos, rasgando o lençol e esticado as pernas, sem se ter apercebido, até ao dia seguinte, que a cama não estava feita de forma normal, e que tinha um lençol por substituir…….

 

publicado por Sweet Sex Teen às 11:47
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Exército - TIC – A instrução de rapel

 

Certo dia, ao virmos para intervalo de uma das aulas, reparámos num grande aglomerado de pessoal junto ao auditório onde normalmente tínhamos aulas de Análise Matemática (essa coisa maravilhosa, ministrada pelo Engº Barros Vidal).

Quando nos aproximámos, constatámos que se tratava de uma instrução de TIC (Técnica Individual de Combate), ministrada pelo TNT (Tenente T*…), e neste caso em concreto, uma instrução de rapel.

O pessoal estava disposto em "U", de forma informal e assistia com interesse ao que o TNT lá ía dizendo.

 

imagesCA363DDB.jpg

 

Resolvemos ficar por lá, a assistir ao que se seguiria.

O TNT mandou um camarada (neste caso, o Bebágua) subir para cima do edifício, e lá de cima, após ter passado a corda pelo mosquetão, mandou-o descer a parede.

O Camarada empenhou-se a sério na manobra mas, por azar, enfiou um dos pés numa janela da parede do edifício, tendo estilhaçado a mesma.

O TNT não se fez rogado e admoestou o nosso camarada de forma bastante musculada, não se coibindo de demonstrar e exercer a sua autoridade.

Desconheço se a acção seguinte do TNT teria alguma relação com o amontoado de mirones que se tinha colocado a assistir à instrução, mas o que é certo é que ele resolveu exemplificar a toda a gente como se fazia uma boa descida em rapel e, do alto do edifício, dando um valente impulso para trás, lá veio ele também a descer a parede. Ao segundo impulso, conseguiu a rara proeza de enfiar não um, mas ambos os pés, cada um na sua janela, mandando um monte de cacos de vidro por ali abaixo.

O pessoal que assistia a este espectáculo não conseguiu resistir e desatou numa enorme gargalhada, que se contagiou também ao pessoal que estava a receber a instrução, risada esta que chegou a derrubar pessoal que se contorcia de tanto rir, esticados no solo……

Quando conseguiu desenvencilhar-se da corda, e já no solo, o TNT estava vermelho que nem um tomate maduro.

Imagino que o maior desejo dele fosse o nosso regresso à sala de aula, pois o ambiente ficou bastante alterado, e de forma hilariante…….

 

publicado por Sweet Sex Teen às 11:42
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Quarta-feira, 25 de Março de 2015

Exército - TIC - O brinquedo novo......

 

Num certo dia, após iniciada a instrução de TIC, estavam as turmas transformadas em apenas duas colunas de alunos ao longo da estrada, armados em combatentes, equipados a rigor (uns mais que outros) e com a camuflagem possível que tinha havido tempo para fazer. Não estaríamos, certamente com muito bom aspecto.

Como se tratava de um dos momentos que antecediam um deslocamento, os elementos das colunas estavam encostados o mais possível à berma. Neste raro momento de pausa, apercebemo-nos que o grande responsável, o capitão M*P* estava entretido a mexer num objecto novo, um megafone. Tão absorto estava nos seus pensamentos e experimentações, que, por breves momentos, deve ter entrado numa onda zen, que o terá feito esquecer-se de onde se encontrava e com quem se encontrava. Neste momento zen, decidiu experimentar o seu novo brinquedo, tendo-o ligado e levado à boca, para declamar um característico "1, 2.."

Capturar.JPG

 

O seu "1, 2.." tê-lo-á surpreendido, com a carga de decibéis com que foi amplificado e debitado pelo megafone. Mais surpreendido, terá ficado, quando ouviu um potentíssimo "3, 4…" gritado a plenos pulmões pelos alunos que, ao ouvir o "1, 2..", instalaram imediatamente no chão, tendo respondido à letra, (como aliás era da praxe), com o tal "3, 4…"

Recuperando da melhor forma possível do seu momento zen, da surpresa da sua voz no altifalante e da resposta do grupo, e por forma a não perder a iniciativa, ao se aperceber o do que o pessoal tinha acabado de fazer, e após ter, num esgar, esboçado um sarcástico sorriso, responde, também ao megafone, e com a voz alterada pelo característico aumento de volume e perda de qualidade daquele tipo de equipamentos:

- "3, 4…" os tomates! Deitou!

 

publicado por Sweet Sex Teen às 17:40
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Exército - TIC - Prólogo

 

 

Naqueles dias, ficou-me na memória o TIC, do TIC TAC maluco do

Foto perfil.gifrelógio que não pára, corre-corre desenfreado das aulas para a camarata, por forma a trocar de farda e "preparar para combate" com o fumo do cigarro meio fumado, meio engolido pelo estômago, o berreiro, o "chega à frente", os camaradas que, apesar de tudo, nunca perdiam o sentido de humor e no meio de todo este fulgor, ou faziam uma brincadeira ou mandavam uma boca que arrancava umas gargalhadas de alguns, talvez os menos stressados, mas sempre, sempre, com aquela música, a "saudade", como banda sonora de fundo, o deslocamento em viatura para terrenos mais inóspitos que nos aguardavam para uma esfrega digna de memória, o cheiro a gasóleo mal digerido pelos motores das DAF, a azia que ficava no estômago depois daquele "reforço" com sandes de ovo ou de queijo sem sabor, e do sumo ácido, quase sulfúrico, mas acima de tudo, a memória que fica, de tempo muito bem passado……. nas célebres instruções de TIC (Técnica Individual de Combate)…..

publicado por Sweet Sex Teen às 17:35
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Pilão - O carnaval e outras partidas - V - o very light

Numa determinada visita de estudo a uma base da força aérea, um dos nossos camaradas acabou por trazer com ele um objecto, que se acredita tratar-se de um very-light.

fireworks.jpg

 

Por forma a accionar o mesmo, sem dar muito nas vistas, escolheu fazê-lo no interior da enorme casa de banho da 2 ª companhia.

Visto de fora, parecia que a casa de banho se encontrava em chamas, dado o vermelho vivo que se libertou de tal engenho.

Escusado será dizer, que toda a casa de banho ficou com uma tonalidade vermelha, agravada pelo facto de se tratar de um ambiente extremamente húmido….

Lá o pobre coitado teve que se acusar e receber o respectivo correctivo, e lá tivemos nós, uma casa de banho avermelhada durante uns tempos….

 

publicado por Sweet Sex Teen às 17:32
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Pilão - O carnaval e outras partidas - IV - pasta de dentes

Desde sempre que na semana do carnaval, o aroma da pasta de dentes reinava em absoluto, por todas as camaratas e alguns quartos do pilão. Era de tal forma intenso, que durante toda a semana do carnaval, nenhum outro odor se impunha aquele.

De facto, faziam-se muitas brincadeiras com pasta de dentes. Uma delas consistia em simplesmente colocar pasta no cabelo do pobre incauto adormecido, a qual mais tarde iria solidificar e colar à almofada.

Uma outra partida, também com o recurso à pasta de dentes, (mas esta já com um certo requinte e ritual específico), consistia em colocar uma boa porção numa das mãos de um indivíduo, e fazer-lhe cócegas no nariz, o que inevitavelmente iria levar a que ele espalhasse a pasta pela sua cara. Isto durante o seu sono, claro está.

Estando completamente disseminada a utilização da bela da pasta de dentes, outras práticas também concorriam para a brincadeira, como era o caso da graxa para sapatos, que era colocada nos óculos dos incautos adormecidos, mas raramente na cara, pois tinha um efeito bastante irritante na pele.

Partidas haviam muitas, mas o cheiro da pasta de dentes, esse, era o sinónimo máximo da louca semana de carnaval no internato.

 

publicado por Sweet Sex Teen às 17:30
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Segunda-feira, 16 de Março de 2015

Pilão - O carnaval e outras partidas - III - Botas e mais botas....

Por alturas do carnaval, mandava o bom senso que, á noite e durante o período em que nos encontramos a dormir, todos os nossos pertences, ficassem devidamente guardados, por forma a não dar azo a nenhuma partida.

Tal não precaução não foi tomada numa dada noite, na 2ª companhia….

Aquilo é que foi… apanhar botas, sapatos, chinelos, enfim, todo o calçado que foi possível encontrar, e amontoar o mesmo, com cruzamento de pares, e com nós dados nos cordões, exactamente no centro da parada.

otherranks-event.jpg

 

A cereja no topo do bolo foram duas lindas botas de montar em cabedal que ficaram lindas, uma de cada lado, no topo de uma baliza……

Escusado será dizer que a rapaziada viu-se completamente á rasca para conseguir achar o seu calçado, sendo que ao pequeno almoço, levaram calçado aquilo de que dispunham na altura, desde os sapatos da farda de saída, ténis e chinelos, sob a atenta gargalhada (em surdina, claro), da rapaziada que havia pregado tal partida.....

 

publicado por Sweet Sex Teen às 17:39
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Exército - As operações de segurança…..

 

Recém chegado a Santa Margarida, e face à nossa nova realidade, o deployment das nossas forças em missões de manutenção de paz na Bósnia i Herzegovina, as conversas dos "novos veteranos" ocupavam boa parte do nosso quotidiano, até porque o Batalhão onde havia sido colocado, tinha participado numa missão dessa natureza, (e pela primeira vez), há cerca de seis meses atrás.

O pessoal decorria o tempo a desfilar pormenores da missão naquelas paragens, o que me estimulava a imaginação, ao tentar acompanhá-los. Numa dessas estórias, que me espantou sobremaneira, confesso, tomava protagonismo um capitão, (C.) com quem eu já me havia cruzado nos tempos da Academia Militar, e de quem eu tinha a mais alta consideração e apreço. E qual era a estória?

imagesCAL6FZXW.jpg

 

Precisamente um logro, (dos maiores, ainda por cima), na realização de operações de segurança. Segundo o relator, o dito capitão, ao regressar ao aquartelamento, e de acordo com as regras estabelecidas, aproximou-se do recipiente de areia onde eram realizadas as operações de segurança, retirou a sua Walther P-38 do coldre, puxou a corrediça à retaguarda, (o que implica que, quando a mesma regressa à frente por acção da mola, uma munição é inserida na câmara da arma), e, apontando para o recipiente, deu uma inocente gatilhada que se saldou no enorme estrondo de um disparo, obviamente. O dito capitão terá olhado para a arma, proferido uns impropérios, retirado o seu carregador e voltado a tentar a tal inocente gatilhada. Ora, por efeito do disparo anterior, a corrediça havia-se deslocado atrás e no regresso à frente, nova munição se apresentou na câmara, pelo que novo disparo foi efectuado. No meio de foda-se, foda-se, à terceira a arma não disparou pois já não tinha munições.

O que me deixou perplexo foi o facto de um indivíduo experiente, (bastante experiente aliás), ter-se prestado a tal ocorrência. Não percebi, confesso.

Tudo ficou mais claro quando, cerca de dois anos após este relato, eu próprio segui em missão para a Bósnia i Herzegovina. Já bem perto do fim da missão, e após ter efectuado as regulamentares operações de segurança vezes e vezes sem conta, antes de entrar no edifício onde nos encontrávamos aquartelados, retirei a minha Walther do coldre e puxei instintivamente a corrediça à retaguarda (com o carregador ainda na arma), coloquei a patilha de segurança em "fogo" e, ao apontar para o recipiente (e prestes a fazer exactamente a mesma asneira do tal capitão), ouço uma voz atrás de mim:

Gun unloading station.png

 

- Meu Alferes, o que é que está a fazer? – Era o meu bom amigo FM, com quem havia sido, o qual era talvez o condutor mais batido do batalhão.

-As operações de segurança. – Respondi. – Olhei para ele e, face ao seu sorriso de orelha a orelha, só nesse momento me apercebi que algo de muito errado estava prestes a acontecer. Nesse momento, parei para pensar e vi que havia apresentado munição à câmara. Retirei o carregador, retirei também a munição da câmara, concluí as operações de segurança em boa ordem e agradeci ao FM.

Nessa noite, soube-me bem ter-lhe pago as bebidas, pois ele havia-me salvo da implacável consequência de ter um bar aberto às minhas custas, e para todo um batalhão.

Há coisas na vida em que é necessário pensar e evitar a todo o custo que o instinto tome lugar, sob pena de podermos virmos a nos arrepender seriamente. Compreendi finalmente o que se tinha passado com o tal capitão.

 

publicado por Sweet Sex Teen às 17:31
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Sexta-feira, 6 de Março de 2015

Pilão - O Carnaval e outras partidas - II - A cama peregrina

 

Na semana de carnaval, reinava por todo o Pilão, uma imensa vontade de reinar (passo o pleonasmo), e para nós (o meu grupo), constituía uma oportunidade de darmos largas á nossa imaginação.

Assim, uma noite que fomos "passear" até à 2ª companhia, detectámos um jovem (não graduado) a dormir o sono dos justos, numa cama individual (à altura, e devido a limitações de espaço, somente os graduados se podiam dar ao luxo de ter uma cama individual, não constituída em beliche). Assim, os 4 colocámos mãos á obra, tratando de erguer a cama do chão e, sempre atentos à reacção do nosso peregrino, iniciámos o deslocamento.

us_military_bunk_bed.jpg

 

Íamos a meio do corredor da 2ª companhia quando, de repente, o jovem soergue-se na cama, tendo ficado sentado. Não sei se ele é/era sonâmbulo ou não. O que é certo que após termos ficado imóveis a olhar para ele durante algum tempo, voltou a aconchegar-se nos lençóis, adormecendo profundamente, permitindo que nós continuássemos a nossa progressão, tendo o pobre coitado ficado a dormir praticamente ao relento, na entrada do edifício……

 

 

publicado por Sweet Sex Teen às 17:39
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Exército - BACO! Afinal qual é o posto do gajo? - Noites à BIMec

 

Aquele Batalhão era algo que tinha uma identidade própria, devido, em parte, pela sua componente operacional, onde havia uma certa margem de manobra que seria muito difícil de encontrar em outras unidades do Exército.

Certa noite, estando eu de oficial de dia, após a reunião das 09h00, onde eram distribuídas as rondas pelos sargentos de dia às companhias, desloquei-me até à sala de oficiais.

Como estava uma noite bastante agradável, e como o interior da sala estava bastante quente, decidi, mais o meu camarada S… dirigirmo-nos para o meu carro, estacionado bem em frente da entrada principal da sala, onde pudemos estar longas horas a conversar sobre assuntos vários, a ouvir música e a beber umas cervejas.

Tudo estava organizado de forma bastante simples: o barista, sentado num banco atrás do balcão, lá ia vendo o que estava a dar na tv e nós, sempre que se nos acabava a cerveja, bastava fazer um sinal com os máximos dos faróis do carro, para sinalizar o barista, que lá vinha, com duas novas cervejas.

headlights-450-a-g.jpg

 

A noite foi longa. Diria muito longa, até. Foi longa ao ponto de nos termos arrastado até ao nosso quarto, tendo caído redondos, cada um em cima da sua cama.

Recordo-me vagamente que, na manhã seguinte, (e dado que o meu camarada ia receber o meu serviço), um outro camarada mais antigo irrompeu quarto adentro, tirou-me o cinturão com a pistola e o braçal, tendo-os colocado no meu camarada da cama do lado, e lá o levou, para que este pudesse ir receber a formatura do pessoal que ia entrar de serviço naquele dia…..

Enfim…. Coisas próprias daquela unidade….

 

publicado por Sweet Sex Teen às 17:35
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