Sexta-feira, 8 de Maio de 2015

Academia Militar - Um Tenente sui generis….

Por vezes, no decurso da nossa vida, cruzamo-nos com pessoas que são verdadeiramente fora de série, uns por este motivo, outros por outro motivo e uns outros, por se constituírem como pessoas que, não sendo cómicas, provocam, deliberadamente ou não, situações verdadeiramente hilariantes.
Desta vez trago-vos o mui garboso Tenente C*, da mui nobre e augusta arma de Infantaria, como ele amiúde gostava de se referir à sua arma no Exército.


Anteriormente relatados, surgem-nos os episódios do LAW, bem como das operações de segurança.
Desta vez, acrescento mais qualquer coisa. Este senhor era tão pródigo em situações verdadeiramente divertidas, que por si só merecia um capítulo dedicado a si.
Recordo-me das palavras de um camarada cadete, que relatou a ocorrência decorrida durante um almoço na mesa de comando do aquartelamento da Academia Militar na Amadora. Tal ocorreu a uma quinta-feira, dia em que o comandante geral da AM aparecia ou fazia-se representar na Amadora para a formatura do almoço e para tomar a refeição. Desta vez terá vindo o Brigadeiro segundo comandante, que se fazia acompanhar por um séquito de oficiais do Estado Maior. Durante o decurso do almoço, algum destes oficiais terá mandado uma qualquer piada, a qual teve o condão de despertar uma risada sabuja no grupo de oficiais que se encontrava à mesa. Quando o nível do riso diminuiu bastante ou desapareceu, foi possível ouvir o Tenente C*, alto e bom som, a comentar o seguinte:
- “Foi por causa de merdas destas que eu vim recambiado da sede para a Amadora”……
O efeito obtido foi de uma quase incontrolável vontade de rir por parte de alguns, e a vergonha e embaraço de outros. Deu para constatar que se tratava de um militar “sem papas na língua”.
O bom do Tenente poderia ser um pouco “desbocado”, mas não seria por isso que era menos comprometido com o serviço. Recordo-me que quando me cruzei com ele no BIMec, já com o posto de Capitão e com a função de oficial de logística, levava as contagens do consumo de água e de electricidade tão a sério, que pugnava por ser ele o oficial que apresentava invariavelmente os menores consumos no relatório de oficial de dia, mesmo que para que tal fosse possível, recorresse aos préstimos do pessoal de serviço no fim de semana, para cortar a água e a electricidade em grande parte da unidade…….
Num outro episódio, decorrido durante uma instrução de ordem unida com espada, quando o Tenente C* deu a ordem de sentido ao pelotão, reparou que um elemento dos PALOP, já de certa idade e que apresentava uma farta bigodaça, tinha a bainha da espada perpendicular ao solo (era e é suposto a bainha da espada cair ao longo da perna esquerda, afastando-se a ponta da mesma cerca de 20 a 30 cm para trás, relativamente ao tacão do sapato esquerdo). Não se contendo, e com uma entoação muito característica, lá vociferou:
- “Uuuuhhhhhh……….. O Samurai da ilha do fogo!!!!!!!!!!”
Escusado será referir que o restante pessoal, na sua esmagadora maioria, não conseguiu suprimir a gargalhada que imperava coroar o momento, mesmo arriscando-se a um qualquer castigo físico que ao Tenente C* pudesse aprouver. 

Este Tenente, tendo demonstrado amiúde que era detentor de uma cultura fora de série, não poderia ser rotulado de louco ou de afectado psicologicamente, a não ser de forma benigna……
Recordo-me de um outro episódio, em que estando eu dispensado de exercícios físicos, e por ser ele o instrutor de G.A.M. (Ginástica de Aplicação Militar), que iria ministrar a aula à minha turma, fui dar com ele de pé no meio de um campo de capim. As ervas chegavam-lhe à altura dos bolsos do peito. Reparei que as mesmas se agitavam bastante (mais que o normal movimento provocado por uma brisa de força média). De repente, oiço-o a dizer, alto e a bom som:
- “A erva é amiga”;
Logo seguido de um coro em resposta:
- “A erva é amiga”;
De seguida, nova declamação do Tenente:
- “A pulga é amiga”;
Ao que o coro respondeu:
- “A pulga é amiga” ;
– O Tenente tinha a turma toda deitada no solo, a rastejar e lá ía mandando estas praxadelas orais, enquanto ministrava uma grande praxadela física. Obviamente que os movimentos detectados no capim, eram provocados pelos movimentos do pessoal, a rastejar junto ao solo…..
Num outro episódio, em que estando no campo, a sua turma se encontrava a fazer uma progressão no terreno e, à chegada do Capitão M* P*, (o responsável pela instrução de TIC – Técnica Individual de Combate), junto do Tenente C*, perguntou-lhe:
- “Ó C*, quais sãos os teus?”;
Imediatamente, o Tenente ordenou, bem alto:
- “Turma Golf!!!! Deitou!!!!; - Ao que o pessoal imediatamente instalou no terreno. Voltando-se para o Capitão, disse-lhe: 

- “São aqueles, Meu Capitão. Não se conseguem ver, mas eles estão lá……”
O Tenente C* havia sido nomeado comandante de pelotão de instrução durante a PAM, (Prova de Aptidão Militar), tendo-lhe cabido o comando de um pelotão de candidatos militares, (pessoal que encontrando-se na situação de contratados, poderiam concorrer ao quadro permanente do Exército, tendo para tal que conseguir entrar na AM e concluir um dos seus cursos).
Dado que os militares, numa óptica de se distanciarem dos restantes candidatos civis, tinham a mania que sabiam tudo, de tudo o que era alvo de instrução durante a PAM, as instruções do Tenente C* eram sobremaneira diferentes que o normal. Numa instrução de uma hora sobre determinado equipamento, quer seja de armamento ou de equipamento, normalmente corria-se durante 50 minutos e fazia-se uma pausa para instrução, durante 10 minutos. Bate certo. 50 mais 10 são 60, o que corresponde a uma hora……

Na altura, estávamos num Curso de FGC (Formação Geral Comum), com os três Ramos das Forças Armadas. Notou-se que os oficiais superiores da Armada e da Força Aérea manifestavam alguma preocupação relativamente a supostos abusos na instrução que era ministrada aos cadetes, pelo que passaram a acompanhar mais de perto o decurso das mesmas, por forma a poderem avaliar “in loco” se tal se verificava. Assim, acompanharam-nos numa semana de campo que fizemos na tapada militar de Mafra (EPI), em Dezembro de 1993. Durante o dia, iam visitando os diversos pelotões durante a sua instrução, por forma a se inteirarem da forma como os cadetes estariam a ser tratados e das matérias que eram leccionadas, (as quais teriam essencialmente a ver com Técnica Individual de Combate).
Numa destas acções de “inspecção”, ao descerem uma colina, foram-se aproximando do pelotão do Tenente C*, o qual se encontrava formado em “U” dentro de uma poça de lama que deveria dar pelo início das canelas do pessoal. Assim que o Tenente C* se apercebeu da aproximação de tal comitiva, reage imediatamente, dando a seguinte voz de ordem unida, alto e bom som: 

- “Atenção! Deitou!!!!!
É claro que o pessoal obedeceu prontamente e ficaram espojados na lama. Perante o ar meio incrédulo e até confuso dos oficiais que faziam parte da comitiva, o Tenente C* lá terá mandado o pessoal colocar-se de pé e em “sentido”, obtido a necessária autorização por parte do oficial mais antigo para mandar colocar o pessoal “à vontade”. Seguidamente, e em jeito de justificação, terá declarado para os oficiais superiores que, dada a aproximação inopinada destes ao local de instrução, havia tido um lamentável engano, que fez com que os mandasse instalar no solo, em lugar de se colocarem em sentido.
Apesar de tudo o que foi relatado, confesso que desconheço se o bom do Tenente C* era mesmo assim, ou se tinha uma qualquer retorcida necessidade de praxar a malta durante as instruções. Por mim, avançaria pela segunda possibilidade………..

publicado por Sweet Sex Teen às 20:55
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