Sexta-feira, 7 de Agosto de 2015

Exército - O riso assentou praça no Regimento

A instituição castrense é um conjunto de homens, (mais recentemente também de mulheres), com as suas regras, virtudes e como não podia deixar de ser, os seus momentos cómicos. Uns porque são indivíduos absolutamente “cromos” os quais, de tão habituados à vida militar não se perspectiva que possam dar para mais o que quer que seja, outros porque são os chamados normais, e ainda os cómicos, que fazem com que nos deleitemos com os seus episódios e as suas imensas desventuras. Há um pouco de tudo.

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Pelas características da vida nas unidades militares, praticamente tudo, todos os eventos, prestam-se à ocorrência de situações que nos fazem rir. Um deles passou-se num Regimento de Infantaria, grande unidade que normalmente tem umas quantas centenas de homens nas suas fileiras. Neste caso falamos do Regimento de Infantaria de Beja, o qual, por se estar a aproximar o dia da unidade (data de aniversário), encontrava-se com a normal azáfama que visa “lavar a cara” à unidade. Eles são portas e janelas a serem raspadas e pintadas de fresco, substituição de vidros, pintura de paredes de edifícios, capinagem de ruas e à beira dos edifícios, limpeza da parada, etc, etc, etc.
O grande problema para esta efeméride consistia no facto de existir uma grande e normalmente bastante vistosa sebe no interior da unidade e a mesma actualmente apresentava-se completamente seca, de cor acastanhada, e nem com os cuidados de um jardineiro provido de qualidades divinas a coisa conseguiria ser composta.
Bem, lá chegou o tão esperado dia da unidade. As forças formaram na parada, fizeram um magnífico desfile os familiares dos militares e as visitas compuseram a coisa com a sua presença, o General Chefe do Estado Maior do Exército presidiu á efeméride. No final houve o petisco da ordem, com “rancho reforçado e melhorado” (o que só sucede em datas festivas) e no final do evento, o General CEME, a dirigir-se ao Comandante do Regimento, enalteceu o seu comando, a forma como a cerimónia foi preparada e decorreu (aquelas coisas da praxe) e mesmo antes de se ir embora, ainda cobiçou o magnífico trabalho do jardineiro ou da equipa de jardineiros que o Coronel teria sob o seu comando, pois a sebe, mesmo num ambiente bastante quente como é o de Beja, apresentava-se com um vigor invejável e extremamente viçosa, de uma cor verde brilhante como só as plantas na força de uma imensa saúde clorofílica costumam apresentar. O Sr. Coronel agradeceu ao General CEME, contudo não lhe revelou o seu segredo (o qual é agora a todos nós revelado). O agradecimento não deveria ser endereçado a nenhum jardineiro, antes aos carolas da secção auto (oficinas), os quais pintaram a sebe á pistola.

Por vezes, no meio militar, o “ser” e o “parecer” confundem-se e trocam de lugar entre si.

Num outro episódio, agora no Regimento de Cavalaria de Estremoz, o comandante (Coronel Calamares de Eneida, também conhecido pela alcunha de Boi Doidão), tinha o seu gabinete com vista para a parada e porta de armas, conseguindo assim controlar o fluxo de pessoal que se movimentava nas mesmas.
Ora, na sexta-feira era comum o pessoal desenfiar-se mais cedo para fora do Regimento, o que muito enfurecia o comandante, pelo que ele, sem se mostrar, mantinha-se atento ao pessoal que circulava pela parada e para onde íam. A dado momento, avista o Tenente Pardaleiro, o qual deslocava-se de forma muito descontraída e em direcção, precisamente, à porta de armas da unidade. Boi Doidão abriu a janela do seu gabinete e assomando o tronco de fora da mesma, lança para o ar a pergunta, bastante alto e a bom som:

- Pardaleiro!!! Onde é que tu vais? – Ao que o Tenente, tendo estacado, voltou-se na direcção da janela, e terá simplesmente respondido, embora de forma bastante bem audível:
- Vou cagar!!! – Bem, esta resposta desencadeou uma série de eventos. O primeiro foi o fechar com estrondo, da janela do comandante. Outros eventos prenderam-se com o pessoal que se encontrava nas imediações da parada no momento e que se desenfiou em passo de corrida por forma a se ocultar, por dois motivos, qual deles o mais importante:

  1. Libertar a enorme gargalhada aprisionada na garganta, o que não poderia ser feito em plena parada, pois daria a entender que se encontravam a rir da situação, do Tenente, ou pior, do comandante;
  2. Afastarem-se por forma a não serem identificados e arrolados como testemunhas, não fosse o comandante querer dar uma “porrada” (designação na gíria militar para punição disciplinar), ao Tenente, pela sua ousadia.

Claro que o à-vontade do Tenente tinha alguma razão de ser. Tanto ele como o comandante eram ex-alunos do Colégio Militar, e tratavam-se por “tu” em ambiente informal, apesar de um ser Coronel e o outro um simples Tenente.

A tropa tem destas coisas. Nunca estamos preparados para a próxima situação que nos faça esboçar um sorriso, ou arrancar uma estrondosa gargalhada.

publicado por Sweet Sex Teen às 22:23
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